CACD Inglês

Saiu o Guia de Estudos 2014! Para fazer o download do guia completo, clique aqui. Para fazer o download apenas da seção que diz respeito às provas de inglês, clique aqui.

Se as respostas publicadas no guia são aquelas nas quais os candidatos obtiveram a maior nota – comparando com as notas, nas mesmas tarefas, dos outros candidatos -, a nota máxima da Translation A foi 17,5, a da Translation B foi 10,5, a do Summary foi 13,0 e a da Composition foi 45,0 (o que totalizaria 86 pontos de 100). Esses resultados não são muito diferentes dos do CACD 2013 (no qual o total seria 86,5 pontos), mas bastante inferiores, por exemplo, aos do CACD 2012 (no qual o total seria 92,5). A tarefa que mais parece ter contribuído para essa queda na nota foi a Translation B, já que não há tanta variação de pontuação nas outras tarefas ao longo dos últimos cinco anos. Veja o quadro abaixo:

2014 2013 2012 2011 2010
Translation A 17,5 17 19 18 19
Translation B 10,5 11 15 13,5 13,5
Summary 13 14 13,5 14 14
Composition 45 44,5 45 45 40,5
86 86,5 92,5 90,5 87

Cheers!

 

Recentemente descobri o site Vocabulary.com e ele me pareceu uma ótima opção para quem quer aprender vocabulário em inglês.

Basicamente, o site funciona assim: você cria um perfil (clique em sign up) e começa a responder algumas perguntas relacionadas ao significado de algumas palavras (essa seção do site é chamada the challenge). De acordo com o site, há mais de 100.000 perguntas, e o legal é que as respostas vêm acompanhadas de definições e exemplos – além disso, é possível pedir dicas antes de responder as perguntas, o que aumenta as associações que você pode fazer com o item de vocabulário que está aprendendo. 

página inicial

página inicial

O site começa, assim, a mapear seu nível de conhecimento linguístico e a ser mais seletivo na escolha de palavras, personalizando os estudos do usuário. Por exemplo, toda vez que o usuário erra uma palavra, o site direciona essa palavra para uma lista (words I’m learning) e apresenta essa palavra ao usuário em diferentes sessões até que ela seja aprendida. O usuário pode acompanhar seu progresso clicando em My Progress.

página "my progress"

página “my progress”

Dessa forma, o site mistura perguntas novas (classificadas como assessment) e perguntas de revisão (review e progress). Para os mais competitivos, há até um sistema de pontuação, medalhas e um ranking.

Outra vantagem do site é que o dicionário do Vocabulary.com tem uma parte bem interessante sobre confusing words (se você pedir a definição de affect, por exemplo, tem uma seção nesse verbete comparando essa palavra a effect). E também é possível criar listas personalizadas de palavras, acessar listas prontas e compartilhar listas em geral.

confusing words

confusing words

vocabulary lists

vocabulary lists

É claro que o site não é a solução para todas as questões relacionadas à aquisição de vocabulário (veja este e este post sobre esse tema), porém ele pode ser um bom aliado!

Cheers!

Atualizado em 28/10, às 13h40.

 

Segundo relatos de alunos, a prova de inglês na terceira fase teve como tema o Peru.

A tarefa Translation A trazia um texto mais descritivo sobre a Amazônia peruana. A passagem a ser traduzida para o português foi tirada deste artigo, porém adaptada. O texto de partida foi este:

Iquitos, once a boom town, is more than 2,000 miles from the mouth of the Amazon, yet here the river is still more than half a mile wide. You are deep in the steaming jungle. On both banks, rainforest comes tipping down to the water in a rough and tumble of vegetation in a million shades of green. Piranhas teem in the shallows while alligators idle on the banks.Birds of iridescent colours cackle and croak, whistle and squawk. Three-toed sloths lounge leisurely in the branches and monkeys career headlong through the treetops.

Iinto the midst of all this unbridled wildness there looms a floating floating incongruity in the discordant guise of a new three-storey luxury cruise boat. Aria, a 150 foot long glasshouse, is pllying the waters around Iquitos at a point on the Amazon where Brazilian and Peruvian naval bases flaunt the armed flotillas farthest inland anywhere in the world. Luxury here spells everything the jungle is not: air conditioned, bug-, mud- and snake-free, comfortable and clean. 

A Translation B, por sua vez, foi um texto adaptado do Itamaraty dos anos 90 e comparativamente mais fácil, considerando o nível de dificuldade da Translation A:

Os países da América se unem hoje com um sentimento comum de satisfação para comemorar o primeiro aniversário da Declaração de Paz do Itamaraty, de 17 de fevereiro de 1995, que restabeleceu a confiança e a amizade entre dois povos irmãos.

Esse é o caminho, o diálogo, nunca a confrontação; a razão, jamais a força. Serão, por certo, desafiadoras essas negociações. A agenda é densa e os temas se entrelaçam numa teia de condicionantes múltiplos. Acima de tudo, será preciso saber projetar uma visão de futuro, inspirada no interesse de longo prazo dos dois países. Uma visão que enfrente o desafio de buscar formas, mais do que de convivência pacífica, de desenvolvimento solidário. Esse processo, de dimensão histórica, deverá proporcionar que as Partes se sintam estimuladas a assumir, de forma gradual e progressiva, as tarefas e responsabilidades de, conjuntamente, assegurarem a paz na região e com isso o ambiente básico para o que importa: o desenvolvimento e o progresso social.

O Summary trazia um texto sobre a exploração de recursos no Peru, na Bolívia e no Equador, assim como manifestações das comunidades locais a respeito disso, aparentemente com ênfase no caso peruano. O texto foi uma adaptação deste artigo.

Por fim, a Composition teve como tema as vantagens e desvantagens da exploração da Amazônia peruana. O texto da tarefa, tirado deste artigo, foi:

Peru’s government, like those in other emerging economies, sees development of minerals and timber as the fastest way to lift the country out of poverty, particularly in the country’s largely untouched Amazon region. In Peru, land ownership is private, but the government has full rights to the resources below ground–such as minerals, oil, and gas–and above it–such as water, fish, and timber.  In an op-ed in 2007, President Garcia, infamously dismissed what he called “the law of the dog in the manger, which says, ‘If I do not do it, then let no one do it.'” Without the state to give out concessions, Garcia wrote, the land would remain undeveloped, with “unused resources that cannot be traded, that do not receive investment, and do not create jobs.”

But indigenous groups and communities in the Amazon fear the government is engaged in a large-scale giveaway of their land to industry at the expense of their cultural heritage. “For the indigenous people, the land is sacred, but in [Western culture] the land is simply a resource,” said Roger Rumrill, an expert on the Amazon’s indigenous communities. The government recently created new concessions that would open up 70 percent of the Amazon to oil and gas exploration, though many of these concessions haven’t been given out yet.

Weigh up the potential benefits and drawbacks of Peru opening up and developing its Amazon region.

De forma geral, a tarefa que parece ter colocado maior dificuldade para os candidatos parece ter sido a Translation A.

Agradeço aos alunos pelos relatos que possibilitaram este post e desejo a todos muita sorte nesta reta final!

Cheers!

No último capítulo do livro Traduzir com autonomia: estratégias para o tradutor em formação, Fábio Alves, um dos coautores, propõe um modelo didático do processo tradutório, no qual ele integra as estratégias de tradução que são discutidas ao longo do livro. Neste post, apresentarei uma adaptação livre do modelo de Alves, pensando especificamente nos recursos estratégicos que de fato estão disponíveis para os cacdistas.

Alves desenvolve seu modelo de processo tradutório partindo do modelo do teórico alemão Frank Könings, o qual divide as atividades de tradução em dois blocos: o Bloco Automático e o Bloco Reflexivo. O Bloco Automático corresponde à primeira etapa do processo tradutório, na qual as Unidades de Tradução (UTs) já têm, para o tradutor, uma equivalência preestabelecida – ou seja, são tradutíveis automaticamente. O Bloco Reflexivo, por sua vez, é a segunda parte do processo, na qual o tradutor precisa recorrer à reflexão para traduzir as UTs restantes.

Considerando esse um modelo simplista, Alves propõe um modelo mais complexo, composto de sete etapas: automatização, bloqueio processual, apoio interno, apoio externo, combinação de apoios interno e externo, priorização e omissão de informações e, finalmente, aperfeiçoamento do texto de chegada. Como o cacdista não pode passar pelas etapas que incluem qualquer apoio externo, por não haver possibilidade de consultas durante a prova, apresento aqui comentários direcionados sobre as etapas propostas por Alves.

Em tradução, sabemos que não existe sempre equivalência um para um entre os itens lexicais dos pares linguísticos – se a equivalência sempre existisse, o processo tradutório se resumiria à substituição de uma palavra do texto de partida por uma palavra equivalente no texto de chegada, e a tradução seria simétrica e reversível. Essas equivalências automáticas, as quais são objeto da primeira fase do modelo de Alves, a Automatização, são, na verdade, uma parcela bem pequena da totalidade das UTs.

Quando o tradutor não encontra uma equivalência automática para uma UT, ele passa a operá-la no que Könings chama de Bloco Reflexivo. Entretanto, se por falta de competência linguística ou tradutória o tradutor não conseguir fazer essa operação, ele chega ao que Alves chama de Bloqueio Processual: nesse caso, o tradutor é levado ou à eliminação da UT do processo tradutório ou até, por vezes, à interrupção de todo o processo.

Para evitar o bloqueio tradutório, é essencial ter consciência das estratégias de tradução, as quais serão usadas no Bloco Reflexivo. Para o cacdista, isso significa estratégias de Apoio Interno, ou seja, “as operações mentais que envolvem os conhecimentos prévios do tradutor”. Nesse sentido, quando o tradutor utiliza como apoio conhecimentos já disponíveis sobre a UT, ele usa a memória; quando ele não tem esses conhecimentos prévios, recorre a mecanismos inferenciais (ver post sobre subsídios internos).

Na etapa de Priorização e Omissão de Informações, o tradutor toma decisões inter-relacionando texto, língua de partida e língua de chegada. Nessa etapa, o tradutor se questiona, por exemplo, sobre questões culturais e idiomáticas. Alves dá exemplos bastante elucidativos, mencionando algumas soluções de tradução para a seguinte frase:

“Sixteen years had Miss Taylor been in Mr Woodhouse’s family, less a governess than a friend.”

Alves conta que um tradutor optou por traduzir less a governess than a friend como “mais como amiga que como governanta”, para que o texto de chegada ficasse mais compreensível; outro preferiu traduzir Miss como “Dona”, e não como “Senhorita”, fazendo assim uma adequação do título, pensando na possível idade da personagem – e na consistência do texto de chegada.

Na etapa final, de Aperfeiçoamento do Texto de Chegada, o processo tradutório é revisado e as UTs consideradas insatisfatórias são aperfeiçoadas.

Preocupado com a didática da tradução e em oferecer uma opção metodológica para o treinamento de tradutores, a qual tivesse como base uma abordagem cognitiva, Alves propõe um modelo de processo tradutório. O modelo de Alves pode ser visualizado clicando aqui, porém proponho neste post um modelo livremente adaptado, tendo em mente especificamente as etapas que um cacdista pode percorrer na terceira fase:

Modelo livremente adaptado para Cacdistas

Modelo livremente adaptado para Cacdistas

Assim como no modelo de Alves, aqui os retângulos são etapas do processo tradutório, enquanto que os losangos são momentos de tomada de decisão – por isso estão acompanhados pelas alternativas “sim” ou “não”. Após a tomada da decisão, a seta indica a continuidade do processo.

Dou um exemplo de passos em um processo tradutório segundo esse modelo. Primeiramente, o candidato escolhe a UT que pretende traduzir. Então, pergunta-se se pode operá-la no Bloco Automático – ou seja, se a UT pode ser automaticamente traduzida, sem reflexão. Se sim, a tradução é efetuada e passa-se à próxima UT. Se não, passa a operá-la no Bloco Reflexivo. Se ela se encontrar em sua memória de longo prazo, a tradução é efetuada e passa-se à próxima UT; se não, o candidato tentará processar inferências locais e globais para tentar chegar a uma solução de tradução. Se chegar a uma solução, a tradução é efetuada e passa-se à próxima UT. Se não, o processo tradutório fica bloqueado até que a UT seja eliminada – ou brevemente deixada de lado (pode ser que a continuidade do texto ajude a recuperar a memória de longo prazo ou mesmo a processar inferências). No caso da possibilidade de uma solução de tradução, a UT é traduzida em um texto de chegada provisório – provisório porque não está completo e porque, após a tradução da totalidade das UTs, passará pelos processos de priorização e omissão de informações e de aperfeiçoamento.

É claro que esse modelo não tem a intenção, como ressalta Alves, de ser uma descrição de como se dá o processo tradutório em termos piscolinguísticos; a ideia é apresentar alguns possíveis caminhos que podem percorrer um tradutor em formação. Apesar de, da forma como está descrito, esse processo parecer ser longo e complexo demais para tarefas que os cacdistas normalmente procuram concluir em menos de uma hora, muitas dessas operações são realizadas quase que instantaneamente, principalmente por candidatos com um pouco mais de experiência em tradução. Assim, o modelo permite visualizar de forma organizada os processos psicolinguísticos envolvidos no processo tradutório, os quais podem ser desenvolvidos com exercícios de tradução e devem ser usados conscientemente nas tarefas da terceira fase.

Cheers!

Além da delimitação consciente das Unidades de Tradução, outra estratégia que pode ser útil ao cacdista nas tarefas de tradução e versão na prova de inglês da terceira fase é o uso, também consciente, de subsídios internos, especialmente porque não é permitido o recurso a subsídios externos, como dicionários bilíngues em geral, textos paralelos ou glossários especializados. Neste post, continuarei reportando à discussão proposta por Fábio Alves no livro Traduzir com autonomia: estratégias para o tradutor em formação, no qual ele fala sobre dois subsídios internos: a memória e as inferências.

No que diz respeito à memória, Alves afirma que ela tem três funções principais: armazenar informações, recuperar informações armazenadas e esquecer informações. A melhor forma de armazenar informações é através do estabelecimento de associações, o que pode acontecer ou por contiguidade, ou por frequência. Isso quer dizer que as melhores formas de armazenamento de informação são por meio do inter-relacionamento de informações (contiguidade) e pela repetição do registro (frequência). Assim, a capacidade de recuperar as informações armazenadas depende, ao menos em parte, da elaboração de uma rede de informações associativa.

Quanto à recuperação da informação, Alves explica que a memória tem duas fases: a memória de curto prazo e a de longo prazo. A memória de curto prazo, a qual inclui a memória visual, é aquela processada quase instantaneamente: ela está sempre disponível e o acesso a ela ocorre quase que de forma inconsciente. Alves dá o exemplo das palavras house, car e dog, as quais, se nos apoiarmos na memória de curto prazo, não teremos dificuldades para traduzir de forma praticamente automática. Entretanto, esses automatismos são perigosos no processo tradutório, já que a tradução requer reflexão consciente. No caso da palavra dog, por exemplo, traduzi-la como cachorro na frase it is raining cats and dogs poderia ser visto como não idiomático. Por isso, Alves argumenta que o processo tradutório se beneficia mais do apoio da memória de longo prazo, a qual ele define como “forma estável de codificação de informações que nos permite sua recuperação consciente por intermédio das redes associativas”. Para Alves, quanto maior o número de associações, maior a capacidade de recuperar a memória. Para ilustrar o que seriam essas redes associativas, Alves apresenta este mapa conceitual:

'Traduzir com autonomia", p. 63.

“Traduzir com autonomia”, p. 63.

Além da memória, há outro mecanismo cognitivo que funciona como subsídio interno no processo tradutório: a capacidade de produzir e processar inferências. Inferir é obter informações que não estão disponíveis de forma direta, e as inferências podem ser de caráter local ou global.  Inferências locais são raciocínios dedutivos possibilitados pelo caráter coesivo do texto. Por exemplo, no diálogo “A: Have you seen Peter? B: He has gone home”, se a frase He has gone home estivesse sozinha, não poderíamos concluir que foi Peter que foi para casa; entretanto, a inferência é possível com as duas frases, devido ao caráter coesivo de he.

Inferências globais, por sua vez, são aquelas que dependem da percepção de relações que vão além das de coerência, dependendo muitas vezes do conhecimento de mundo, por parte do tradutor. Por exemplo, veja a seguinte frase, tirada de um texto com o qual normalmente trabalho com meus alunos:

“It would go to quartering Redcoats to keep away marauding Indians, or to inhibit revengeful ‘Frogs.'”

A compreensão e a tradução desse trecho dependem de inferências globais, já que o tradutor precisaria ter o conhecimento de mundo de que Redcoats (“Casacas Vermelhas”) era o nome dado aos soldados britânicos e de que Frogs é um ethnic slur para “franceses”.

Ter consciência desses recursos de apoio interno é importante para evitar, na terceira fase, problemas tradutórios diversos, como automatismos inapropriados ou mesmo um bloqueio processual. No próximo post, pretendo comentar o capítulo final do livro Traduzir com autonomia, no qual Alves propõe um modelo didático para o processo tradutório, integrando as estratégias de tradução que vimos nesse post e no anterior, ou seja, a delimitação das Unidades de Tradução e o recurso consciente a mecanismos de apoio interno.

Cheers!

Referências:

PAGANO, A.; MAGALHÃES, C.; ALVES, F. Traduzir com autonomia: estratégias para o tradutor em formação. São Paulo: Contexto, 2011.

Uma das estratégias que podem ser úteis para as tarefas da tradução e da versão na terceira fase do CACD é a delimitação consciente das Unidades de Tradução dos textos de partida. Ao menos é isso que nos leva a crer o argumento de Fábio Alves, coautor do livro Traduzir com autonomia: estratégias para o tradutor em formação, cuja proposta é discutir estratégias de tradução que possibilitam a resolução de problemas tradutórios, partindo do pressuposto que o tradutor deve ter consciência das decisões que toma ao longo do complexo processo tradutório.

Mesmo que apenas intuitivamente, sabemos que a tradução de um texto se dá por partes (não necessariamente sequenciais), as quais podem ser chamadas de Unidades de Tradução (UTs). Um dos maiores desafios do processo tradutório é delimitar as UTs, sendo que às vezes uma UT corresponde a uma palavra, porém tantas outras vezes uma UT corresponde a um sintagma, uma frase, uma oração ou um período.

Para dar um exemplo de o que são UTs e como delimitá-las, cito uma frase de um texto do Traduzir com autonomia:

“Vistors who want to see how many of Brazil’s citizens live can now add the Morro da Previdência favela to their tourism itinerary.”

Pensando em termos de UTs, é interessante notar, conforme destaca Alves, a questão de que how many, normalmente um pronome interrogativo, aqui compõe duas UTs distintas: o sentido aqui não é de “quantos”, mas sim de “como” e “muitos”.

Outro trecho do mesmo texto diz:

“Six local teenagers will act as guides, showing off such sites as the Nossa Senhora da Penha Chapel […].”

Aqui, Alves destaca que show off compõe uma única UT, a qual tem o sentido diferente do de apenas show.

Há casos, por exemplo expressões idiomáticas e provérbios, em que a UT é bem mais extensa:

“A bird in the hand is worth two in the bush.”

Como provérbios não podem ser interpretados literalmente, é preciso traduzi-los de acordo com seu significado, pensando inclusive se há algum provérbio na língua de chegada que seja correspondente. Nesse caso, uma tradução possível seria “Mais vale um pássaro na mão do que dois voando”.

Também cito um exemplo tirado de um texto com o qual eu geralmente trabalho com meus alunos:

“Why not, then, have the colonists, who had been rescued from the wicked French, pay something for their own protection?”

Perceber “have the colonists _____ pay” como uma UT pode ajudar, nesse caso, a não perder de vista o fato de que essa é uma pergunta na causative form. A tradução dessa UT seria algo como “fazer com que os colonos _____ pagassem”.

Vale destacar que a delimitação das UTs não é algo objetivo. Como Alves ressalta, “as estratégias de tradução têm características predominantemente individuais”, ou seja, a delimitação das UTs de um texto de partida é subjetiva. É importante, por isso, que no ato tradutório sejamos conscientes das escolhas que fazemos, já que, ainda segundo Alves, “a delimitação das UTs é o ponto de partida para uma boa tradução”.

Termino este post com o conceito de UT elaborado por Alves:

“Unidade de tradução é um segmento do texto de partida, independente de tamanho e forma específicos, para o qual, em um dado momento, se dirige o foco de atenção do tradutor. Trata-se de um segmento em constante transformação que se modifica segundo as necessidades cognitivas e processuais do tradutor. A unidade de tradução pode ser considerada como a base cognitiva e o ponto de partida para todo o trabalho processual do tradutor. Suas características individuais de delimitação e sua extrema mutabilidade contribuem fundamentalmente para que os textos de chegada tenham formas individualizadas e diferenciadas. O foco de atenção e consciência é o fator direcionador e delimitador da unidade de tradução e é através dele que ela se torna momentaneamente perceptível.”

Cheers!

Referências:

PAGANO, A.; MAGALHÃES, C.; ALVES, F. Traduzir com autonomia: estratégias para o tradutor em formação. São Paulo: Contexto, 2011.

Passo ao quinto e último texto da prova de inglês do TPS 2013.

Each of the options below presents an excerpt taken from the text and a version of the same excerpt. Choose the one which has retained most of the original meaning found in the text.

A. “One curious snippet of information came from the United States later that same year, when it was noted rather laconically that two of Minor’s family had recently killed themselves…” (l.19-22) / One odd piece of information came from the United States that same year, when it was noted rather verbosely that two of Minor’s relatives had recently killed themselves…

Snipet of information não quer dizer o mesmo que odd piece of information, nem laconically o mesmo que verbosely.

B. “In the year following the disclosure about his relatives, the files speak of Minor’s having started to take walks out on the Terrace in all weathers, angrily denouncing those Who tried to persuade him to come back in…” (l.36-39) / In the year after the revelation about his relatives, the archives show that Minor had started to take walks out on the Terrance during any kind of whether, angrily extolling people who tried to convince him to come back in…

Denounce não quer dizer o mesmo que extol. Sem mencionar que during the weather não é nada idiomático – não há qualquer ocorrência no BNC (British National Corpus) ou no COCA (Corpus of Contemporary American English).

C. “He was replaced by Doctor Brayn, a man selected (…) by a Home Office that felt a stricter regime needed to be employed at the asylum.” (l.5-8) / He was substituted by Doctor Brayn, a man picked over (…) by a Home Office who believed a more rigid regimen needed to be established at the asylum.

Pick over não quer dizer select. Além disso, o pronome relativo who não poderia fazer referência a Home Office, já que não se trata de uma pessoa – apesar de não me parecer muito justo cobrar isso em uma questão que não fala nada sobre gramaticalidade. Por fim, regime não é sinônimo de regimen.

D. “Brayn was indeed a martinet, a jailer of the old school who would have done well at any prison farm” (l.9-10) / Brayn was really punctilious, a traditional jailer who would have been successful working at any prison farm.

Alternativa CORRETA. O substantivo martinet tem um sentido próximo daquele do adjectivo punctiliousOld school quer dizer o mesmo que traditional. Por fim, o verbo do, quando intransitivo, pode ser usado para falar de saúde ou de sucesso.

E. “There were no escapes during his term of office (…), and in the first year two hundred thousand hours of solitary confinement were logged by the more fractious inmates.” (l.11-15) / No one escaped while he was in office (…), and in the first year of his mandate two hundred thousand hours of solitary confinement were registered by the more ingratiating prisoners.

Fractious não é o mesmo que ingratiating.

Cheers!

O Blog

Este é um blog com comentários sobre as provas de inglês do Concurso de Admissão à Carreira Diplomática. As opiniões expostas neste blog são pessoais e não possuem qualquer respaldo oficial do CESPE-UnB ou do MRE. Contato: ingles.cacd@gmail.com

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